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Coluna musical #1

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E tem coisa melhor pra estrear a minha coluna diária-semanal-seminal-descomunal-essencial-rockenrouzistica do que falando do ano que mudou tudo?
É senhoras e senhores, já se passaram 40 anos desde o nosso Summer of Love. Filho de pais separados, o rebelde ano de 1967, é conhecido também como o ano da psicodelia.
Pais separados? Mas e quem são os genitores desse garoto?
Simples! Nada mais fácil de constatar que tudo aquilo que saiu desse maravilhoso ano, bebeu na fonte inesgotável de dois dos maiores discos de rock (alguns falam que é da música pop, mas, pra mim é rock n´roll de primeira linha, puro sangue!) de todos os tempos.
E quais são esses discos?

Revolver dos Beatles e Pet Sounds dos Beach Boys.
Revolver, nada mais é que o crescimento da semente plantada pelos Beatles no Rubber Soul. O do início da psicodelia, de arranjos complexos e músicas bem elaboradas, introspectivas. Acabou a inocência do rock. Acabaram as músicas colegiais. O rock tinha virado coisa de gente grande. E a maior prova disso, foi o Pet Sounds. Ah, o Brian Wilson era louco, mas se não fosse a sua obsessão de ser melhor que os Beatles, talvez não fôssemos contemplados com algo tão sem adjetivos quanto esse álbum. Uma obra-prima, que inicialmente pode ser difícil de digerir, reflexo disso foi a aceitação na época, mas, com o tempo, mostrou ser genial e eterno, tanto é que resistiu à prova do tempo. Para Paul McCartney, está nele a música mais bonita de todos os tempos: “God Only Knows�.

E chegamos em 1967... Nada melhor que começar aproveitando o gancho pra falar que foi, simplesmente, nesse ano, que os Beatles gravaram o álbum que mudaria, não só a música, mas os conceitos de arte do nosso querido a saudoso século XX. “So, Sgt. Peppers took you by surprise?� diria John. O Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band foi feito pra ser grande, foi feito pra definitivamente dizer pro mundo que nada, nunca superaria os Beatles em termos de música, genialidade, inovação e impacto. A começar da capa, onde cada beatle escolheu as celebridades que gostaria de posar ao lado, o que gerou uma capa, se não a mais copiada de todos os tempos (que o diga o Zé Ramalho), a mais genial de todas. Imagina você pegando um vinil e tentando descobrir quem eram todos aqueles? E os mistérios da morte do Paul? Devia ser divertido pacas hein! Mas aí chegava a hora de abrir o bolachão, e meter na vitrola! Pessoas falando... E a sua vida, começaria a mudar a partir daquele momento!

E foi paralelamente à gravação do Sgt. Peppers, no mesmo estúdio, o famoso Abbey Road em Londres, que uma bandinha com o nome de dois famosos (?) blueseiros gravava o seu espacial e genial álbum de estréia. O álbum era o The Piper at the Gates of Dawn, e a banda em questão era conhecida como Pink Floyd, e tinha como líder um sujeito chamado Syd Barret, que dizem as más (boas!) línguas, andou trocando idéias com John Lennon pelos corredores do estúdio. É algo como uma tabelinha Pelé-Maradona na entrada da área...
E chega nessa altura do texto, e a gente num chegou a um acordo? Eu não consegui ainda te convencer que 1967 é, sem sombra de dúvidas O ano?
Prometo que daqui pra frente vou me esforçar um pouquinho mais, tá? Qual o teu guitarrista favorito?

Foi em 1967 que o Eric Clapton, junto com Jack Bruce e Ginger Baker lançavam o divisor de águas de suas carreiras, o Disraeli Gears, da sua banda, o Cream, que entre outras pérolas tinha Sunshine of Your Love e Strange Brew.
Em 1967, James Marshall Hendrix lançou o seu álbum mais genial, junto da sua banda, o Jimi Hendrix Experience. E o álbum em questão é conhecido como “Are You Experienced?�, e tinha algumas modinhas de viola, conhecidas como Purple Haze, Fire, Hey Joe e Foxy Lady. Presta?
E se você acha que Hendrix e Clapton são tão ruins, que deviam fazer uma dupla de repentistas, e que guitarrista mesmo é o Jimmy Page, eu te conto, foi nesse ano que ele gravou pela primeira vez na história uma guitarra sendo tocada com um arco de violino. Foram os últimos registros dos Yardbirds.

E os Rolling Stones, o que faziam em 1967? Lançavam um álbum que juntou no seu elenco de colaboradores, ninguém mais ninguém menos que John Lennon e Paul McCartney nos backing vocals e John Paul Jones batendo umas panelas, é mole? Ainda podemos nos maravilhar com uma das melhores músicas dos caras, “She´s a Rainbow�. O álbum foi o Their Satanic Majesties Request.

Bebendo na mesma fonte de blues dos Stones, os Doors de Jim Morrison estrearam com o auto-intitulado álbum, The Doors, e, como um cometa passaram por aqui deixando marcas, quebrando paradigmas e destruindo pudores como poucas bandas conseguiram. Pérolas do álbum? Light My Fire e The end! A banda favorita do Jim Morrison, também lançou sua menina dos olhos em 1967. O Forever Changes, da banda Love. Altamente recomendado pra a discografia básica de um bom rockeiro.

Acho que esses álbuns citados acima já vão consumir um bom tempo pra serem ouvidos e uma boa banda da sua conexão pra serem baixados, hein? E quem foi que nasceu em 1967? Rapaz, quem nasceu nesse ano, foi o tal do Kurt Cobain, e uma banda chamada Creedence Clearwater Revival. Falando nisso, foi em 1967 também que os roqueiros sulistas do Grateful Dead lançaram seu álbum de estréia, que me falta o nome agora...

E por aqui, na nossa Terra Brasilis, o que acontecia em 1967? Além dos tradicionais festivais da canção, da Record, Tupi, Excelsior, etc, rolava a estréia dos Mutantes cantando Domingo no Parque com o Gilberto Gil num festival, e a chegada do Raul Seixas no Rio de Janeiro pra estourar de vez no Brasil.

Ano: 1967 Evento: Monterey Pop Festival (onde estorou a Janis Joplin) Hino: My Generation, The Who.

Valeu galera, espero que tenham gostado dessa nossa pequena viagem no tempo, e tenham tido, assim como eu, vontade de ser um pouco mais velhos e ter vivido isso tudo intensamente. Sugestões, críticas, chororô, cantadas, desaforos, podem me mandar um e-mail pra daniel.a.ribeiro@gmail.com. Todos os discos presentes no texto são altamente estupidamente recomendados. Um grande abraço, e até a próxima!

Rafael Aragão

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